Noite da Rabeca é destaque no Diário de PE

Diário de Pernambuco - Viver - 10/06

DIÁRIO DE PERNAMBUCO – VIVER – 10/06/2010
Primo pobre do violino tem dia de glória
Rabeca é reverenciada pelos discípulos que Mestre Salustiano deixou, em programação festiva, hoje, no Sítio da Trindade
Michelle de Assumpção
michelleassumpcao.pe@dabr.com.br

“Salu na rabeca é bom, igual a doce de caju”, cantava o saudoso mestre popular. Hoje, no Sítio da Trindade, pelo menos dois filhos seus, e mais um bocado de discípulos, mostram que querem ser tão bons quanto Mestre Salustiano no instrumento. A Noite da rabeca faz parte da programação do São João do Recife. Conhecido como o primo pobre do violino – por suas limitações de escala – de timbre fanhoso e estridente (sobretudo quando tocado sem muita preocupação com afinação), a rabeca é “a nova alfaia”. Do mesmo jeito que o instrumento central do maracatu de baque virado proliferou mundo afora, a rabeca hoje é sonho de muitos jovens músicos apreciadores da cultura popular. O grupo de forró Matulão, do Mestre Grimário, é referência recente do forró de rabeca, apesar de seu rabequeiro ter crescido ao som do instrumento.

Dinda Salu, um dos mais novos da cria de Mestre Salu, é o tocador de rabeca do Matulão. A banda, que tem Mestre Grimário como fundador e percussionista, toca coco com a rabeca. Cláudio Rabeca, na sequência, entoa mais forrós de rabeca, gravados para disco recém-lançado. Depois, é a vez do grupo Rabecado, que tem Guga Azevedo como condutor do rústico, porém nobre instrumento. Também apresentam músicas novas, que estarão no primeiro disco da banda, previsto para o segundo semestre. “Será um show muito dançante, estamos muito animados por dividir o palco com amigos talentosos como Cláudio Rabeca e Maciel” – comemora Publius, bandolinista e cantor da banda. Maciel Salu encerra a Noite da rabeca, com show que também antecipa músicas do seu novo CD, já gravado e com previsão de lançamento para setembro.

Maciel conta que o novo disco incorpora metais, bateria e sample, mas que a rabeca não perde seu lugar. Está, por exemplo, em Casa da Rabeca, que compôs em homenagem ao seu pai, seu avô, e à casa construída pelo Mestre Salu, hoje conduzida pelos herdeiros. Foi o avô de Maciel, seu João Salustiano, quem lhe ensinou as primeiras pegadas na rabeca. Depois é que o pai chegou junto. E então Maciel teve outros mestres: Luiz Paixão, Manoel Pereira e Pitunga que, além de tocador era um exímio artesão de rabecas e fez algumas peças para ele, para Siba Veloso, entre outros jovens rabequeiros.

Por ser mais popular dentro da brincadeira do cavalo-marinho, os tocadores mais novos de rabeca passaram todos pelo banco do folguedo. É ali, tocando com todo mundo, que são tomadas as aulas mais importantes. Foi assim também com Cláudio Rabeca, que se apaixonou pelo instrumento quando morava em Natal e ouviu pela primeira vez Siba Veloso, líder da banda Mestre Ambrósio. “Vim morar no Recife em 2002 e procurei logo Salustiano. Ele dizia que com dez aulas eu ia aprender cinco músicas. Aprendi dez”, conta Cláudio. Depois ainda buscou informações com o mestre Luiz Paixão. Mas Siba continuou sendo sua principal inspiração. “Ele consegue tocar muito afinado e bonito, sem perder a originalidade do timbre, sem deixar que fique parecendo com violino”, analisa Cláudio. O inventor do MestreAmbrósio e do Fuloresta do Samba chegou a entrar na programação da PCR, mas não está no Brasil, e sim em Dakar, na África.

Texto publicado em Notícias, Shows com as tags , , , , , , . Link direto: URL.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>